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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Festividades Cívico-religiosas em Atenas



As festas religiosas e cívicas eram particularmente numerosas em Atenas (Péricles classifica-as também como distrações da cidade).
Algumas das festividades Atenienses
Mês
Festividade
Deus
Hecatómbeu
(julho)
Crónias
(banquete que assinala o final da ceifa)
Crono
Sínoiquia
(celebra a unidade da Ática e o poder Ateniense)

Panateneias
(grandes festividades em honra da deusa da cidade)
Atenas
Metagítnio
(agosto)
Metagítnias

Boedrómio
(setembro)
Mistérios de Elêusis
Apolo
Boedrómias
(em honra de Apolo Boedrómio, o que auxilia no combate, eram realizados sacrifícios e cortejos)
Apolo
Pianépsio
(outubro)


Pianépsias
(festa das sementeiras na qual era oferecido ao deus um prato de favas e vários outros legumes misturados com farinha de trigo, depois levavam, em cortejo, um ramo de oliveira envolvido em lã e carregado dos primeiros frutos)
Apolo
Oscoforias
(cortejo de adolescentes transportando ramos de videira carregados de cachos, seguido de sacrifícios e libações, finalizando com danças e corridas)
Dionísio
Tesmofórias
(participam apenas as Atenienses casadas celebrando ritos que favoreciam as sementeiras e a fecundidade)
Deméter
Apatúrias
(sacrifícios e banquetes onde eram apresentados os filhos dos cidadãos nascidos ao longo desse ano, imolavam ovelhas ou cabras)
Zeus e Atena
Calqueias
(homenagem dos trabalhadores de diferentes ofícios mediante oferendas especialmente executadas para a deusa)
Atena
Memactério
(novembro)
Memactérias

Posídon
(dezembro)
Haloas
(participam apenas mulheres numa cerimonia que pretende preservar as sementes que irão germinar na terra)
Deméter e Posídon
Dionisíacas Rurais
(cortejo campestre)
Dionísio
Gamélion
(janeiro)
Gamélias
(Celebração do amor)
Zeus e Hera
Leneias
(festa do vinho, com danças, representações líricas e dramáticas)
Dionísio
Antestério
(fevereiro)
Antestérias
(concursos…também de bebedores)
Dionísio
Cloias
Deméter
Diasias
Zeus
Elafebólio
(março)
Grandes Dionisíacas
(grandes representações teatrais)
Dionísio
Muníquio
(abril)
Muníquias
(grande cortejo com oferendas)
Artémis
Targélio
(maio)
Targélias
(grande festa da purificação)
Apolo
Plintérias
(festa do banho da deusa, com cortejo e oferendas)
Atena
Esquirofório
(junho)
Esquirofórias
Deméter, Core e Posídon
Dipólias
(sacrifício de um boi de trabalho)
Zeus
Arretofórias
(ritos praticados por raparigas)
Atena


A organização do culto era feita pelos cidadãos incumbidos dessa função (os Arcontes e outros magistrados escolhidos para o efeito). Para os gregos eram deveres cívicos: fazer oferendas, manter os templos e custear as festas religiosas.



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

As manifestações cívico-religiosas em Atenas - notas soltas



    Na Grécia Antiga o religioso tendia a fundir-se, no dia a dia, com o lúdico e com o político contribuindo fortemente para reforçar a identidade cultural dos Gregos.

   Em Atenas (tal como nas restantes cidades Gregas) a religião é tida como um dever e um direito cívico, devendo o cidadão inclinar-se perante a vontade dos deuses, prestar-lhes culto e deles aceitar as normas de vida e preceitos. Na verdade, esta forma de viver a religião, parece não ter implicado um sentimento profundo, mas exigia uma prática rigorosa de fórmulas e ritos. Entenda-se que era impossível ser-se um bom cidadão ateniense quando não se acreditasse no poder de Atena, ou no de Zeus, seu pai, ou no de qualquer outra divindade. Da desconfiança quanto à obediência aos preceitos devidos ao divino resultaram muitos processos de impiedade contra alguns “descrentes” filósofos do século V a.C. (veja-se, a título de exemplo, o caso de Sócrates acusado, em 399 a.C, de não acreditar nos deuses que a cidade reconhece e de corromper a juventude; valeu-lhe este processo a condenação à morte). 
   Entre as populações rurais surgiu a necessidade de uma religiosidade mais consoladora, desenvolvendo-se a religião dos mistérios – o orfismo foi buscar a figura do seu deus à religião oficial, atribuindo-lhe a função oracular (com pouquíssima expressão em Atenas). Atenas temia os mistérios e canalizou-os para Elêusis (culto centrado na figura de Deméter e essencialmente feminino).
   
   Os Gregos praticam um culto privado (individualmente ou em família), um culto cívico (realizado nos templos e ligado a atividades culturais e desportivas em honra dos deuses protetores da pólis) e um culto pan-helénico (realizado em santuários onde se dirigiam gregos de toda a Hélade). 
     De um modo geral, o culto consiste essencialmente na recitação de preces e louvores, sacrifícios e purificações. 

     A recitação é feita em pé, com os braços levantados ao céu, quando se dirigem a Zeus, ou a outras divindades celestes, ou curvados sobre a terra, quando se dirigem a Hades ou a outras divindades infernais. 
    Esta dependência dos deuses resulta normalmente de uma troca de favores: pede-se uma benesse e, para que seja conseguida, faz-se uma oferenda - as preces oficiais da Pólis de Atenas consistiam em pedir aos deuses  “bem estar e salvação dos cidadãos atenienses, das suas mulheres e filhos, assim como de todo o país e dos seus aliados”.
    As oferendas, que normalmente acompanham as preces, podem consistir em libações de vinho ou leite, ou nalguns bolos e pastéis que depositam no altar, ou ainda em legumes e primícias  das colheitas. Mas os sacrifícios mais importantes são de caráter sangrento: imolação ou holocausto de animais – degolam-se carneiros e ovelhas, vacas e bois, porcos, cabras e bodes (cada divindade tem a sua preferência: Posídon – touros; Atena – vacas) sempre animais sem defeitos e de boa qualidade. Por vezes, realizam-se hecatombes (sacrifício de 100 bois) mediante rituais estudados, em que parte do animal é queimada e oferecida ao deus e o restante é dividido pelos cidadãos que podem comer logo no final do sacrifício ou levar para casa (uma primeira forma de Take Away em dias feriados?). Por vezes um adivinho assiste ao sacrifício, examinando as vísceras, ainda quentes, do animal e delas extraindo indicações sobre a vontade dos deuses. O holocausto era também um sacrifício de purificação individual e coletiva.
Athéna de Varvakeion
Museu Arqueológico Nacional de Atenas


Imagem retirada de http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Athena_Varvakeion_-_MANA_-_Fidias.jpg